Formação Livre em Esquizoanálise: uma proposta de formação clínica transdisciplinar, transversal e transinstitucional.

A FLEA se organiza em torno de três princípios estruturantes: a transversalidade relacional, a transdisciplinaridade dos saberes e a transinstitucionalidade dos dispositivos formativos. Um percurso de formação clínica envolve o acompanhamento de um processo realizado por diferentes dispositivos formativos internos e externos à FLEA. A produção conceitual nas aulas, grupos de estudo, seminários, grupos de pesquisa devem estar atrelados à prática clínica. Teoria e prática se distinguem, mas não se separam. Outros dispositivos são indispensáveis para o percurso formativo na FLEA como a clínica da formação que atende a comunidade na forma de estágio supervisionado, os grupos operativos que criam o protagonismo de ensino-aprendizado dos formandes nas aulas e a festa que conjura o excesso institucional e o devolve à atividade formativa. A perspectiva transdisciplinar coloca em relação clínica, política, filosofia e a arte, enquanto a perspectiva transinstitucional conjura o fechamento do processo formativo em uma instituição. Transdisciplinaridade e transinstitucionalidade atualizam a diretriz metodológica da transversalidade que defende o primado da relação e nos obriga a cuidar dela ao propor uma lateralidade da diferença.

Conheça o Percurso Formativo
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Sobre a FLEA

Conheça um pouco da nossa história até aqui

Uma formação em permanente formação

A FLEA inicia seu próprio percurso formativo no ano de 2018. Realizada de modo exclusivamente presencial, a FLEA iniciou com um módulo estruturado e perspectiva de construção dos demais à medida que a própria formação caminhasse. Naquela ocasião, contávamos apenas com 2 professores/supervisores/coordenadores (Willi e André), apostando com uma turma composta por 6 alunes na possibilidade de construir uma formação clínica que aliasse o rigorosidade no estudo dos autores do campo da esquizoanálise em articulação com as experiências clínico-institucionais que eram trazidas para a FLEA no espaço da supervisão. Em 2019, junta-se à nossa formação o Edu, que vem a ser o terceiro professor/supervisor/coordenador da instituição. Com esta expansão no corpo de trabalhadores, foi possível aumentar o tamanho de nossas turmas e o número de horas de supervisão realizadas em cada encontro. No ano de 2020, graças à necessidade de isolamento social em função do COVID-19, a formação migra para o espaço remoto, ensejando a oportunidade de participação de pessoas em diferentes lugares do país (e do mundo!).

A clínica da formação tem início em 2021, em um espaço exclusivamente on-line. Porém, à medida que as restrições sanitárias foram sendo flexibilizadas, a FLEA e sua clínica passaram a ter um espaço de encontros presenciais, no bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro. Para aqueles que estão próximos, é nesse espaço ocorrem as aulas, supervisões, grupos de estudo, atendimentos.

Hoje nosso coletivo é composto por coordenação, professores permanentes e supervisores, professores parceiros que ofertam cursos eletivos para o grupo de formandes da FLEA e público externo formandes e dezenas de usuários que são atendidos na clínica da formação.

Nossa Equipe

É necessário um coletivo para sustentar uma formação clínica

A contínua construção da formação clínica proposta na FLEA depende do trabalho de vários profissionais. São eles:

André Rossi

Coordenador, professor e supervisor clínico-institucional

Psicólogo, doutor em Psicologia - UFF e clínico esquizoanalista.

Bruno Porto Ramos

Assistente Financeiro

Graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Finanças, com ênfase em Auditoria, Contabilidade e Perícia Contábil.

Cristiane Rocha

Supervisora clínico-institucional

Psicóloga, Mestre em Psicologia - UFF. Clínica Esquizoanalista

Eduardo Passos

Coordenador, professor e supervisor clínico-institucional

Psicólogo, professor titular aposentado do IP-UFF. Doutor em Psicologia - UFRJ. Clínica esquizoanalista

Flávia Fernando

Professora e supervisora clínico-institucional

Médica psiquiatra (antimanicomial e antiproibicionista). Mestra e doutora em Psicologia pela UFF. Poeta. Esquizoanalista e esquizodramatista .

Kelly Dias

Professora e supervisora clínico-institucional

Mestra em Saúde Coletiva (UFMG). Doutora em Psicologia (PUC Minas). Psicóloga. Esquizoanalista. Esquizodramatista.

Júlia Carvalho

Apoio clínico-administrativo

Psicóloga clínica. Mestre em Psicologia UFF e formada esquizoanalista pela FLEA.

Regina Benevides

Professora e supervisora clínico-institucional

Psicóloga. Professora aposentada do IP-UFF. Doutora em Psicologia Clinica- PUC/SP. Pos-Doc Saude Coletiva/UNICAMP. Analista Institucional. Clínica esquizoanalista

Simone Paulon

Professora e supervisora clínico-institucional

Psicóloga. Docente orientadora do PPG Psicologia Social UFRGS. Pesquisadora Cnpq 2. Doutora em Psicologia Clinica- PUC/SP. Pos-Doc Psicologia UFRN/UNIBO. Analista Institucional. Clínica esquizoanalista.

Tânia Kolker

Professora e supervisora clínico-institucional

Psicóloga, Clínica esquizoanalista e analista institucional.

Thiago Follador

Assistente de mídias sociais

Estudante de psicologia da UFF

Williana Louzada

Coordenadora, professora e supervisora clínico-institucional

Psicóloga. Doutora em Psicologia - UFF. Clínica esquizoanalista

Percurso Formativo

O percurso formativo na FLEA acontece a partir da participação em alguns dispositivos. São eles:

Módulos regulares

Módulos destinados à formação clínica de profissionais de nível superior voltado ao campo teórico-prático da esquizoanálise e na abordagem transdisciplinar da clínica. Os módulos regulares (1, 2, 3, e 4) são constituídos por aula teórica, grupo operativo, supervisão clínico-institucional, assembleia geral e tutoria. Módulo 1 - Clínica e Política; Módulo 2 - Processos de saúde e doença na contemporaneidade; Módulo 3 - Cartografia: clínica e pesquisa; Módulo 4 - Seminários dos formandes (testemunhos do processo formativo)

Supervisão clínico-institucional

Pequenos grupos constituídos por formandes e professores-supervisores (sempre em dupla) nos quais os casos clínico-institucionais acompanhados na clínica da FLEA ou fora dela são cuidados pelo grupo clínico da FLEA.

Clínica da formação

A clínica da Formação é um dispositivo clínico-político que nasceu em janeiro de 2020 e consiste no oferecimento, por parte dos formandes que estão em supervisão (seja nos módulos regulares ou em situação de intermódulo), de atendimentos clínicos a preços populares para a comunidade externa à FLEA.

Módulos eletivos

Ao longo do período da formação, são oferecidos módulos com variações de duração e temas diversos, coordenados por parceires convidades, preferencialmente nos intervalos entre os módulos regulares. O formande deverá cursar pelo menos dois módulos eletivos.

Assembleia

A FLEA funciona de modo cogestivo, sendo a assembleia geral bimensal a instância mais ampla de discussão e deliberação do coletivo. A diretriz cogestiva e não autogestiva pressupõe níveis de deliberação, como a reunião semanal da coordenação e a reunião mensal dos professores que se acumulam até a instância da assembleia. Dada nossa tradição socioanalítica, entendemos que a assembleia além do caráter deliberativo, tem função formativa.

Tutoria

A aposta que a FLEA faz nos espaços coletivos de análise não exclui a necessidade, seja posta pelo formade, seja pela coordenação ou professores, de um espaço de expressão individual. A tutoria acolhe demandas individuais no percurso formativo que é coletivo.

Grupo-Operativo

É o dispositivo que desterritorializa a aula, propiciando em pequenos grupos, o debate e fazendo circular a fala. Mantém a referência ao dispositivo proposto por Pichon-Rivière, conservando dele a tarefa (debater a aula a partir de uma consigna). As funções de coordenador, observador e relator são absorvidas por uma dinâmica autogestiva do grupo. A plenária ao final da aula transversaliza a experiência de construção de saber.

Grupos de estudos

Momento de construção coletiva, lenta e constante da esquizoanálise. Um convite à produção de saber na contracorrente contemporânea da pressa e da recepção do conteúdo comentado e pronto. O objeto do grupo de estudos é mais aprender a pensar, pesquisar e desenvolver o pensamento, do que acumular saber sobre um autor específico, embora isso também ocorra.

Festa

Atividade desenvolvida pelos formandes em sua auto-organização. A festa têm diversas funções e, em especial para nós, conjurar o excesso institucional fazendo-o se dobrar na atividade formativa.

Publicações

Textos relacionados ao campo da esquizoanálise de autoria do nosso coletivo.

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ROSSI, A. Esquizoanálise hoje: uma nova primavera tropicalista, transdisciplinar e interseccional brasileira. in: OLIVEIRA, BR, VIANA, IC, PEIXOTO, TC. (orgs) Esquizoanálises no Brasil: ressonâncias estéticas, clínicas e políticas em emergência - Belo Horizonte: Editora Expert, 2025. p.65-84 <a href="#" style="color:var(--laranja); text-decoration: none;">Acesse</a> Leia mais

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Deseja participar?

Para participar, acompanhe no Instagram ou Telegram a divulgação do início do processo seletivo para ingressar no módulo um ou inscreva-se em um dos módulos eletivos que serão realizados no decorrer de cada ano (eles serão considerados posteriormente, caso você venha a ingressar no percurso formativo da FLEA). Outro modo de ir se aproximando da FLEA pode ser passar a frequentar um de nossos grupos de estudo, que são abertos e tem fluxo de entrada contínuo.